Em um mundo de crescente avanço tecnológico, domínio de big techs, surgimento de inteligência artificial e vício em telas o ideal é que as pessoas entendam o que acontece nesses dispositivos e aplicativos os quais entregam sua vida. Mais do que isto: é importante que os seres humanos compreendam a função social e de manipulação que os algoritmos desempenham nos dias de hoje. É impossível fazer isso sem o mínimo de conhecimento técnico e consciência de classe. A Indústria da Cultura, teoria de Adorno e Horkheimer, talvez nunca se esteve mais presente do que nos dias de hoje, limitando de formas cada vez mais sofisticadas o entendimento da realidade. Obviamente não só o algoritmo tem seu papel de culpa, mas o excesso de trabalho também. Ainda assim, os responsáveis por esses problemas continuam sendo os mesmos e é nossa responsabilidade saber quem são. Portanto, por mais difícil que pareça, no meio dessa espontaneidade artificial e aparentemente inabalável, o objetivo desse blog é tentar dar uma luz a quem encontrá-lo.
Esse blog acaba sendo voltado mais para aqueles que sentiram na pele a opressão da classe dominante. Para aqueles que não tiveram e não tem opção a não ser trabalhar, para aqueles que vivem o mês não tendo certeza se vão conseguir pagar o próximo aluguel. A sua dor é entendida, aqui é um espaço seguro. Ainda é um blog técnico, mas eu não conseguiria escrever um blog técnico sem tocar em política: na minha cabeça é impossível, pois a importância de determinadas técnicas de programação estão além do tempo de CPU que leva. O objetivo é ensinar de forma clara e sucinta como funcionam determinadas coisas e traçar paralelos sociais com a nossa vida, na esperança de que faça alguma diferença. Dessa forma, não espere encontrar aqui um típico blog técnico de influenciadores de tecnologia “apolíticos”.
Para mim, uma vida desperdiçada é uma vida alheia ao seu meio social e seu passado. Se algum dia isso significou só não conhecer a história do seu país ou do mundo, hoje também significa não entender tecnologia. Portanto, encaro esse projeto com extrema seriedade e deixo claro: não sou professor, não sou formado em ciências humanas, mas trabalho há algum tempo com tecnologia. Ainda que tenha um objetivo claro e seja feito com total seriedade, eu não sou autoridade em nada. Farei o conteúdo e ele estará ao critério do leitor, que após ler essa introdução sabe que não é um texto sem lado. Eu tenho um lado e todos nós temos: se você não tem, seu lado é o hegemônico. Se trata então de um blog pessoal, com opiniões pessoais além de conteúdo técnico, voltado para pessoas comuns e não para cientistas da computação ou cientistas sociais. É a tentativa de fazer uma porta de entrada para fora da caverna.
Significa muito para mim.
